2 de novembro de 2011

A percepção de tempo

Estava lendo um capítulo do Livro "Autismo infantil" sobre a noção de tempo e temporalidade no autista. O conteúdo de todo capítulo é interessante mas uma frase me chamou mais atenção ali: "A noção de tempo se dá pelas nossas vivências".
Minhas vivências (é verdade!), fazem o tempo parecer que passou mais rápido ou mais devagar... e com toda certeza isso é assim com você também.
Por isso pensei nos autistas com as suas estereotipias e a ociosidade que eles podem enfrentar nos seus dias. Será que o tempo está passando para eles? Será que é isso que eles querem?
Bom, voltando ao conhecimento técnico científico... Diante da afirmativa de que a percepção de tempo se dá através das vivências, é preciso perceber que uma rotina bem delimitada realmente conforta.
Temos que demarcar muito bem os acontecimentos para os autistas. Não estou falando de trabalhar os conceitos de passado-presente-futuro, não! O que quero mostrar é que, é fundamental permitir que a criança perceba a finitude dos fatos e além disso, entender que 2 fatos não ocorrem ao mesmo tempo. Os fatos seguem um após o outro, conforme a expressão tão repetida: primeiro-isso-e-depois-aquilo.
Várias características autísticas podem ser também interpretadas como uma noção de tempo incerta, como: - Dificuldade em lidar com a alteração na rotina, o que torna tudo tão incerto e inseguro. Alterações exigem que a criança elabore um "plano B", sem que ela tenha condições para isso. - Estereotipias para o isolamento. Aos olhos de quem vê a criança, os comportamentos repetitivos parecem deixar a criança numa "era sem fim".
Além disso é frequente os pais de crianças com Síndrome de Asperger, relatarem que seus filhos "perdem a noção do tempo" quando se envolvem em atividades de grande interesse. E não é raro perceber no discursos de adolescentes com SA, a dificuldade de elaborar os planos para o futuro.
Tempo.
É preciso que os pais comece a se atentar mais aos conceitos subjetivos, eles podem dar dicas de onde está a dificuldade da criança e da melhor forma de ajudá-los.
Está tudo interligado entre tempo, linguagem e imaginação.
Enfim, a primeira ordem é: rotina previsível.

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