11 de março de 2018

Distúrbio Específico de Lingaugem


As crianças com esse quadro possuem enorme dificuldade em falar e entender a linguagem. Podem ser muito inteligentes, mas suas dificuldades comprometem o aprendizado em sala de aula, e o convívio com seus pares. Pode ser difícil montar frases para se expressar, usar a linguagem socialmente, ter um discurso que soa confuso, desorganizado e até repetitivo. Como conseqüência podem apresentar problemas comportamentais diante de frustração ou se sentir retraído.

Os obstáculos a serem enfrentados vão mudando conforme a criança vai crescendo. Por exemplo, podem melhorar a compreensão e permanecerem com dificuldades na elaboração de frases por mais tempo etc. Por isso, o DEL necessita de intervenção adequada para minimizar os desdobramentos do quadro e dar a criança a oportunidade de aprender melhor. Além disso, no início o quadro pode ter características de outros quadros clínicos, o que torna difícil o diagnóstico diferencial. Procure um profissional que possa realizar uma avaliação criteriosa e também o acompanhamento desta criança.

10 de março de 2018

Meu filho ainda não fala


Não é raro os pais de crianças com atraso de linguagem ouvirem histórias que, de certa forma, os confortam em relação ao desenvolvimento de linguagem dos filhos.

Muitas pessoas relatam histórias de crianças que “começaram a falar com 5 anos”. Outras se acomodam no fato de que o pai ou a mãe da criança “demorou  para  falar também” e então, deixam subentendido que isso “é de família”.

Cuidado com essas histórias e com essas crenças de que tudo se resolve sozinho!

É preciso ficar atento, pois estes relatos podem estar,  apenas, mostrando conservadorismo ou tentativa de consolo.

Uma criança faz gestos e começa a dizer as primeiras palavras por volta de 1 ano de idade. Pequenas variações podem acontecer, mas elas não costumam passar dos 18 meses.

Portanto, se uma criança com mais de 18 meses não fala, avalie! Não perca tempo!
Independente do motivo que você julga ser a origem do atraso, a criança merece uma avaliação para poder se desenvolver mais e melhor! A estimulação pode fazer a diferença!

                                                                                                                                                            

21 de março de 2016

Dia 21 de março - Dia da Sindrome de Down



Um abraço mais especial a todos os meus pequenos do consultório que gostam tanto de beijos, abraços, cheiros e cafunés!

4 de março de 2016

Mediação na escola: Até quando? (Reflexão)

A mediação de crianças autistas é uma necessidade! Mas até que ponto?

Uma coisa que muita gente esquece, é que a mediadora deve trabalhar para que um dia a criança não precise mais dela. Isso significa que a mediadora não é uma ajuda-de-todos-os-dias, ela é uma ponte, uma bengala a ser utilizada enquanto for preciso.

Vamos fazer uma analogia:
Se vc quebrar a perna, vc vai precisar caminhar com uma bengala para chegar aos lugares que vc deseja.
Se vc se negar a usar a bengala, irá sobrecarregar sua perna, e isso vai atrapalhar a sua reabilitação... Imagine só como seria difícil subir um degrau! Seria necessário uma rampa para facilitar... Mas a verdade é que nem sempre elas estão disponíveis.
Então, paralelamente à bengala, vc vai fazer exercícios para superar suas dificuldades, uma fisioterapia por exemplo, para trabalhar a força dos músculos, o domínio do movimento, a superação!
Vc não deve deixar de usar a bengala pois ela permite que vc vá mais longe, dê mais passos. Mas tome cuidado, vc não deve usá-la para sempre e se acomodar a ponto de desperdiçar sua capacidade de aprender caminhar sozinho.
A bengala é apenas um processo, ela faz parte do desafio maior que é caminhar com as próprias pernas.

Bom, agora,vamos comparar com as crianças com autismo e suas mediadoras:
A bengala representa a mediação e sem ela, a criança será exigida além de suas possibilidades. Isso pode gerar comportamentos disruptivos como consequência da sobrecarga social e de aprendizagem. A rampa, tão útil para quem usa uma bengala, representa muito bem o ambiente e principalmente as atividades adaptadas à criança. Infelizmente elas nem sempre estão disponíveis mas a mediadora pode trabalhar para construir esse acesso: acesso a linguagem, às relações e ao aprendizado. Basta que as atividades sejam concretas, bem orientadas e dentro do que a criança pode corresponder.
E a reabilitação? No caso da criança com autismo, elas fazem terapias. Esse apoio permite o direcionamento organizado dos estímulos, orientação e planejamento. É preciso ter uma equipe com fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo, família e escola como base e norte. Também é uma superação!

E quando deixar de usar a bengala?
Se vc continuar usando a bengala para tudo, vai ser difícil começar a andar com autonomia... Vc vai acabar dependente dela e não se arriscando a fazer sozinho. O mesmo serve para a mediadora. Se a criança tiver uma mediadora que não trabalha para a ela aprender, ela nunca fará sozinha, pois sempre poderá contar com ajuda extra. Não podemos nos acomodar!

Então, para tomar a decisão de continuar ou não com a presença da mediadora/bengala, sugiro se perguntar:

1. Com a mediação/bengala eu posso dar mais passos do que sem ela?
A mediação faz com que a criança ande mais e melhor. E se o objetivo é melhorar, agarre-se a essa oportunidade. Cuidado para não descartar a mediação num momento crucial para a criança e começar a exigir demais dela. Retire-a quando houver segurança de que a criança caminha sozinha.

2. É seguro retirar a mediação/bengala?
Se você tem dúvidas, retire aos poucos.
Uma boa mediadora assume 3 posições até sair de cena. Ela começa a ficar na posição (1) de telespectadora do que a criança já sabe, (2) dando supervisão para o que ela ainda está aprendendo e finalmente na posição (3) atuando ativamente no que a criança ainda precisa aprender e melhorar. Com o aprendizado de um comportamento aqui e outro ali, aos poucos um pedaço da rotina inteira já será seguida com autonomia! Isso tudo é gradativo, exige persistência e foco.
Agora, se vc já tem a certeza de que a criança seguirá bem sozinha, é porque, na maioria do tempo, a mediadora está na posição de telespectadora, só curtindo o sucesso do seu trabalho! Acredite e banque sua decisão!
Mas se vc está na dúvida, não arrisque o tombo, não vale a pena! Neste caso, sugiro que retire a mediação/bengala aos poucos, apenas para alguns passos. Permita que a criança faça uma ou outra aula sem mediação, diminua a quantidade de dias ou carga horária da mediadora. Enfim, realize um desmame seguro e certeiro, que pode ser corrigido, caso necessário, com uma boa análise de quem convive com a criança (mediador, terapeutas, família e professor).

Lembre-se: Vc é apenas uma bengala, o mérito dos passos é da criança!!

Boa sorte!



2 de março de 2016

Dica da Fono — Perguntas

"Quando uma criança fizer uma pergunta para você, responda SEM repetir a pergunta dela como uma confirmação."

Essa orientação vale especialmente para autistas. Geralmente os familiares se surpreendem com a pergunta e confirmam sorrindo, assim quebram um pouco do diálogo e acabam fazendo uma ecolalia da pergunta da criança!
Mesmo que a pergunta da criança seja uma ecolalia, Responda dando sentido ao que ele fala. Só não vale responder se a criança ficar repetindo a mesma pergunta toda hora, neste caso diga apenas: já respondi.
Atenção, ok?

17 de julho de 2015

Orientação é terapia também

Em meu consultório, eu priorizo a orientação à familia, tanto quanto a realização da sessão de terapia propriamente dita.
Não há como desvincular a terapia da orientação. A orientação deve ser uma extensão do que é feito em sala com a criança, um meio de continuar o estímulo correto. Se a família se engaja no processo terapêutico e segue o que é proposto, a criança se torna muito mais estimulada e consegue generalizar o que foi aprendido para as situações cotidianas muito mais facilmente.
O objetivo de qualquer tratamento deve ser este: melhorar a vida da criança!
Por este motivo não consigo compreender como existem profissionais que não privilegiam a orientação aos pais e querem apenas realizar a sessão dentro do consultório e ponto final. Também não consigo entender como existem pais que delegam a função de estimular, apenas aos profissionais e não se abrem para ouvir o que deve ser feito em casa.
Entendo que a relação terapeuta-paciente e a dinâmica de muitas famílias interferem nesse engajamento e nesta troca contínua, mas a palavra de ordem é EQUIPE. Não só os profissionais mas a família também faz parte da equipe.
Convido a todos os familiares a procurarem realizar as orientações sugeridas. convido a trocarem informações com os profissionais dando-lhes mais informações do cotidiano da criança. A criança passa mais tempo com vocês. Os pais não precisam saber tudo de um determinado quadro clínico, mas devem saber tudo sobre seu próprio filho.
Convido todos os profissionais a perguntarem mais e não se conformarem apenas com o que lhe é contado. Os pais não são obrigados a saber o que é ou não relevante para o profissional saber, mas se você perguntar eles poderão receber mais do seu conhecimento.
Abram-se!
Todas as situações podem ser passíveis de uma orientação, é só querer dar e receber.

2 de junho de 2015

Informação e orientação sobre Processamento Auditivo

Durante 24 horas por dia somos expostos a várias informações auditivas e compete ao nosso sistema auditivo identificar as mensagens que nos interessam, diminuindo ou anulando as interferências que acabam dificultando o entendimento. Ao exercer esta função, o nosso sistema auditivo coloca em uso, o que chamamos de habilidades auditivas.
Existem várias habilidades auditivas e dentre elas, podemos citar: a localização do som, a compreensão da fala no ruído, a compreensão de uma mensagem (mesmo quando ela está distorcida ou fragmentada), a capacidade para eleger estímulos apresentados a uma orelha ignorando informações apresentadas à orelha oposta, o reconhecimento de estímulos diferentes apresentados simultaneamente a ambas as orelhas e a percepção de pequenas e rápidas mudanças nos estímulos sonoros como a freqüência, a intensidade e a duração.
Dessa forma, podemos dizer que além de identificarmos a presença dos sons, também estamos processando cada um deles. Por isso, a avaliação do processamento auditivo é diferente de uma avaliação de audição tradicional (avaliação audiológica). Enquanto uma mede os níveis da audição, a outra avalia a forma como os sons são interpretados  quando ouvimos.
As informações auditivas atingem o sistema nervoso numa sucessão muito rápida. O processamento de cada uma delas deve ser feito em poucos milissegundos, para podermos acompanhar o raciocínio. Assim, se perdermos alguma pista auditiva, por menor que seja, podemos falhar na compreensão da mensagem, como é o caso da falha na interpretação de piadas, duplos sentidos e ambigüidades.
Nos últimos 20 anos, houve um enorme avanço na área das neurociências e isso repercutiu num melhor entendimento sobre o processamento auditivo. Junto a esses conhecimentos que decodificam a informação auditiva, temos outras áreas que estão associadas à leitura, escrita e linguagem, como as áreas fonológica, lexical e semântica,  bem como as áreas que elaboram as respostas. Assim, é preciso pensar no processamento das informações auditivas, sempre que houver uma queixa na aprendizagem.
O encaminhamento para a realização do Exame do Processamento Auditivo deve ser feito para complementar a avaliação clínica fonoaudiológica e nortear a terapêutica.
É de suma importância o acompanhamento da família em casa e em outros ambientes, proporcionando variedade de estímulos e vivências. No campo que concerne à audição podemos orientar algumas atividades lúdicas para as crianças:
  • ·         Proporcione vivencias auditivas ricas com exposição a sons variados (vídeos, instrumentos de bandinha, músicas de ritmos diferentes, sons ambientais e corporais)
  • ·         Peça para a criança prestar atenção nos sons de olhos abertos, vendo as ações que o provocam e depois, para estimular, trabalhe com os mesmos sons, porém  de olhos fechados e pedindo para que a criança os identifique.
  • ·         Associe estes sons com outros parecidos, buscando uma maior expressividade oral e aumento de vocabulário.
  • ·         Nomeie os sons conhecidos e outros não identificados prontamente fazendo uma associação com outros sons parecidos. 


Bibliografia:
RAMOS, B D. But, after all, why is it important to acess the auditory processing? Braz J Otorhinolarygol. 79(5): 529, 2013.

SOUZA, M A et al. Ordenação temporal simples e localização Sonora: associação com fatores ambientais e desenvolvimento de linguagem. Audiol. Commun Res. 20(1):24-31, 2015

20 de maio de 2015

Televisão e linguagem

Desde que voltei a escrever com mais frequência aqui no Blog, tenho voltado minhas postagens para os assuntos mais recorrentes no meu consultório.
Ando surpresa com a quantidade de tempo que as crianças estão passando em frente à TV. Na verdade, nem ficam somente na TV, ficam em frente às telas de um modo geral: DVD portátil, tablet, celular etc.

Entendo que a tecnologia chama atenção, principalmente dos pequenos. Mas por que os pais a oferecem tanto às crianças?
Ganham um momento de calmaria das crianças? É o momento que os pais conseguem resolver as coisas em casa? Por que elas gostam? Por que acham que isso estimula?
Os motivos são inúmeros mas as consequências desse excesso geralmente são as mesmas.

Se pararmos para pensar, o grande foco de atenção na tela é também um isolamento do mundo ao redor. E criança precisa brincar, interagir!

Vamos lá! Tente somar o tempo que seu filho passa em frente às telas... Qual o resultado? 2, 3, 4 horas?
Acredite, eu já atendi crianças que, fazendo o somatório, davam 5 horas! Inacreditável!

Quanto mais nova é a criança, mais prejudicial é esse-tempo-perdido. Qual é a influencia disso no desenvolvimento da linguagem?

As crianças acabam se ocupando de um estímulo passivo por muito tempo e deixam de lado as interações sociais que tanto contribuem para o seu aprendizado.
Elas não conversam enquanto vêem TV, no máximo repetem as falas dos personagens favoritos.
Alguns desenhos fazem quebras dialógicas, que normalmente não ocorrem em conversas naturais com outras pessoas.
Exemplo: O personagem pergunta: - Para onde nós vamos agora?
A criança responde: Para o castelo!
O personagem devolve: - Muito bem, iupi!! Nós vamos ao parque!       (Parque??)

Além disso, ficam de lado a exploração de brinquedos diversificados com a coordenação motora, as corridas com o gasto de energia, o faz de conta com a abstração tão necessária para o desenvolvimento da linguagem, o contexto das relações com as suas expressões faciais, a bagunça com a sua criatividade.  A criança perde mais do que ganha.

Minha sugestão é que não tenha telas para crianças até 2 anos. Esta é uma idade propícia para desenvolver as habilidades de comunicação e interação com as brincadeiras lúdicas. Depois de 2 anos, o tempo de apenas um filme infantil já está de bom tamanho. Ponto!

Também não aconselho que a televisão fique ligada como plano de fundo das brincadeiras. Se começar um desenho que a criança goste, mesmo que ela não esteja olhando, ela vai ouvir e fatalmente vai parar o que estiver fazendo e correr para a frente da TV. Crianças pequenas tendem a prestar atenção nos estímulos mais evidentes, e assim interrompem a atenção no que estão fazendo para dirigir sua atenção para algo mais chamativo. Neste caso, dê preferência ao rádio ligado, somente o som musical, sem as imagens disponíveis.

No início do desenvolvimento a criança precisa de muitas experiências e com a linguagem não é diferente. Colocar a linguagem verbal e não verbal em uso contribui para uma elaboração linguística cada vez mais elaborada. A intenção de se comunicar acaba por promover a qualidade da própria comunicação.

E por último, convido todos os adultos a repensarem o uso da tecnologia em casa. Tenha sim os seus momentos para as redes sociais, conversas online e para as trocas de mensagens... Concordo que no mundo atual isso é necessário. Mas, por outro lado, não exagere. Sente no chão e brinque com as crianças, converse com quem está ao seu lado, ao vivo é sempre muito melhor!

4 de maio de 2015

Atraso na fala ou atraso na comunicação??

Todos se preocupam com a fala da criança! Se a fala atrasa, os pais ficam muito tensos, e neste momento, as brincadeiras ficam como plano de fundo. Com a preocupação pela falta de palavras, os adultos ficam pedindo para a criança repetir uma palavra aqui e outra acolá quase sempre sem sucesso. A ansiedade quer porque quer as palavras e assim,  nem repara na comunicação.
Antes de falar é preciso conhecer muito sobre a comunicação e colocar tal aprendizado em prática. O uso de gestos, por exemplo, fazem parte do desenvolvimento. É claro, que os gestos por si só não devem perdurar por muito tempo, depois de aprendidos eles passam a ser combinados com outros padrões comunicativos como: o olhar e emissões verbais.
Fique atento a alguns comportamentos pré-verbais na criança, que mostram que a comunicação está se desenvolvendo:

  • ·         Sempre atende o chamado do nome.
  • ·         Fica perto de você, mantendo contato visual enquanto vc fala.
  • ·         Compartilha atenção, se mostrando interessado em um mesmo brinquedo.
  • ·         Olha para o que vc mostra.
  • ·         Mostra itens a vc ou outra pessoa, apontando ou oferecendo.
  • ·         Atende seus comandos quando vc os associa a gestos.
  • ·         Usa o apontar para pedir e olha para vc em seguida.


È importante ressaltar alguns gestos que a criança aprende muito cedo, entre 1 ano a 1 ano e meio:
  • ·         Apontar
  • ·         Dar tchau.
  • ·         Mandar beijo
  • ·         Dar beijo.
  • ·         Sinalizar não com a cabeça.
  • ·         Sinalizar sim com a cabeça.
  • ·         Pedir estendendo a mão.


Quando os comportamentos comunicativos pré-verbais estão atrasados, é necessário procurar uma ajuda profissional com um fonoaudiólogo especialista em linguagem.
O Fonoaudiólogo dará as orientações pertinentes a cada caso, encontrando caminhos para a comunicação se desenvolver de forma mais eficiente e/ou iniciará a intervenção terapêutica.
Muitas vezes, os atrasos mais significativos de linguagem começam a se revelar nos comportamentos pré-verbais. E assim, a organização e estruturação lingüística torna-se mais complexa e necessitando de cuidados.

Outro aspecto importante a ser avaliado é o simbolismo ou faz-de-conta como é comumente chamado. Mas esse assunto fica para um próximo post!

5 de abril de 2015

Estimulação da linguagem com brinquedos

Não é raro alguém me perguntar quais são os brinquedos mais apropriados para a idade da criança e quais são os brinquedos que mais estimulam linguagem.
Descobrir quais são brinquedos mais apropriados para idade é moleza. Há inúmeras listas aqui na internet, e ao pesquisar sobre as fases do desenvolvimento você facilmente pode relacionar os brinquedos a elas ao dar uma voltinha na loja de brinquedos.
Agora, responder quais os brinquedos que mais estimulam a linguagem preciso explicar mais um pouquinho.
Então vamos às dicas:
Comece pensando que os brinquedos são ferramentas valiosas, mas apenas ferramentas. O uso que se faz dele é o que realmente é chamado de estímulo. Assim, uma brincadeira que estimula é aquela realizada em conjunto, direcionada e não sozinha.
O adulto precisa ter em mente que ele é fundamental no aprendizado. A interação motiva e faz com que a criança aprenda por observação e por estar sendo constantemente desafiada. Brincar sozinho é bom por um lado, mas por outro é apenas  se entreter,  aprimorar o que já se sabe e fazer pequenas descobertas. Brincar junto é descobrir o mundo!
As vezes o brinquedo é óbvio e não chama tanta atenção da criança. Já o que você propõe nunca cai na mesmice, é muito mais divertido, fantasioso e surpreendente! A criança sabe que menos é mais e que ela terá grandes oportunidades ao estar com vc. Não é raro observar que a criança pode ganhar um brinquedo “show” e no final se divertir mais com a caixa.
Quando a criança brinca a gente já sabe que ela busca fazer relações entre os objetos experimentando novidades. E por isso eu pergunto: Por que o tal cesto de brinquedos que mistura tudo no mesmo lugar???
A criança vai espalhar aquilo tudo... vai mexer em um e outro, vai procurar não-sei-o-quê no meio daquela confusão e no final das contas o controle remoto da TV será mais divertido. É ou não é?
Bom o que fazer então?
A linguagem ela se organiza semanticamente, ou seja, ela faz relações com tudo. Se eu disser  “praia”, vc vai lembrar de muitas coisas relacionadas a isso. Quando alguém diz algo, vc se lembra de outra coisa por fazer uma relação. Ou seja, a gente sempre busca fazer relações, dar sentido ao que está ao nosso redor. As crianças estão aprendendo estas relações, por isso não deixe que os estímulos ao redor estejam bagunçados.
O ideal é separar os brinquedos por categorias. Use as prateleiras, gavetas, caixas, cestos e toda a mobília para ajudar nesta separação.
Por exemplo, numa caixa vc pode colocar toda a categoria que envolve carros: posto de gasolina, pista, cones, automóveis, motos e etc. E, se é uma categoria,  por que não juntar outros meios de transportes como avião e bicicleta, carroça?
Assim quando a criança pegar um brinquedos naquela caixa, há maiores chances de estabelecer relação entre eles. Quando se tem um cesto de brinquedos, nem sempre ela acha aquilo que pode se relacionar. Desta forma, a brincadeira fica mais exploratória, utilizando objetos individualmente sem estabelecer as relações semânticas que tanto auxiliam na linguagem.
Caixa de brinquedos de cozinha, de fazenda, de brinquedos sonoros etc. Dá trabalho no início para o adulto mas aos poucos a criança vai se organizar!
O adulto deve encorajar a criança a brincar com aquela categoria e depois guardar. Ela pode até pegar mais de uma caixa de uma vez, desde que ela mesma separe tudo novamente. Guardar nos locais apropriados ajuda na organização semântica.
Para auxiliar neste processo, você pode colocar fotos, ou figuras representativas de cada categoria na frente das caixas ou gavetas. Isso pode auxiliar as crianças a se guiarem tanto para pedir o que querem quanto para guardar.
Com o passar do tempo você vai ver o quão diversificado vai ficar a brincadeira, o quão organizada e cheia de estímulos ela será.
Até você vai se animar a sentar no chão e brincar junto, pois será muito mais interessante!
Faça a arrumação e depois me conte como foi!


3 de abril de 2014

Dia Mundial da Conscientização do Autismo

Dia 02 de Abril foi DIA MUNDIAL DA CONSCIENTIZAÇÃO DO AUTISMO.
Por isso, o tema foi abordado em diferentes programas na televisão e em outros meios de comunicação.

O RJTV 1a. Edição, abordou aspectos importantes sobre o Autismo.

Marlice Zonzin Abrantes, presidente da APADEM, esclarece aspectos importantes sobre o Autismo e as leis que beneficiam as pessoas com este transtorno.
Numa participação durante a entrevista, eu, Priscila, contribuo respondendo perguntas relacionadas à linguagem.

Vc poderá ver a reportagem na íntegra, clicando no link abaixo.

http://g1.globo.com/rj/sul-do-rio-costa-verde/rjtv-1edicao/videos/t/edicoes/v/autismo-e-tema-de-entrevista-no-rjtv/3255514/

Novamente, agradeço o convite da TV Rio Sul e a atenção do repórter Alysson Costa durante a gravação.
Teve até uma foto dos bastidores, rs.
Espero que gostem!


16 de março de 2014

Agenda de criança lotada (?)

Tempo livre para brincadeiras deve fazer parte da rotina das crianças

Diferente de ter a agenda lotada de atividades, as crianças devem ter tempo para brincar. Esse momento é muito importante, pois com as brincadeiras, os pequenos aprendem a coordenar seus movimentos, a lidar com os anseios e ainda têm a imaginação estimulada.

As brincadeiras devem respeitar a faixa de desenvolvimento e o ritmo de amadurecimento de cada criança e, acima de tudo, ser uma experiência prazerosa.

Preocupados em estimular o desenvolvimento da coordenação motora, muitos pais enchem a agenda dos filhos com atividades como a natação, balé e judô. Essas aulas são mais benéficas se tiverem o intuito de fazer as crianças brincarem, sem a intenção de treiná-las para competições. Os avanços nas atividades podem ocorrer por volta dos seis anos de idade e à medida que a criança apresentar mais capacidade e desenvoltura.

TELEVISÃO DESLIGADA, IMAGINAÇÃO SOLTA !

Controlar o tempo que a criança fica em frente à televisão e oferecer outras alternativas de brincadeiras e passatempos pode ser uma oportunidade para ela usar a imaginação. Confira algumas dicas do que propor à criança quando a televisão estiver desligada :

- Ler ou apenas manusear livros apropriados para a idade dela;
- Brincar de inventar histórias;
- Oferecer brinquedos de montar e desmontar, de diferentes formas, texturas e cores;
- Utilizar jogos de tabuleiro e quebra-cabeças;
- Brincar com massinhas de modelar e outros materiais que deem liberdade para inventar formas;
- Praticar atividades ao ar livre, como pega-pega e brincadeiras com bola.


FONTE : UNIMED CAMPINAS

25 de fevereiro de 2014

Inclusão em casa

Acredito que a inclusão deva ser natural. Se vc conhece as limitações da criança, certamente vc também conhece o que ela sabe fazer e assim, como consequencia, sabe o que deve propor para ela numa tentativa de incluí-la.

Incluir em casa, nas tarefas do dia-a-dia, auxilia na convivência, faz com que todos se comuniquem mais, melhora a imitação, leitura de contexto e principalmente torna os comportamentos aprendidos em comportamentos ÚTEIS  e FUNCIONAIS.

Neste post, também proponho uma reflexão: Será que vcs (pais) não estão fazendo coisas demais pela a criança? Vc não precisa fazer tudo pela criança, algumas coisas ela deve fazer sozinha, com autonomia, certo? Dou um exemplo:
Se a criança está fazendo atividades com a TO de coordenação motora fina, que tal deixá-la colocar o canudinho na lata de refrigerante?
Se acriança está aprendendo o vocabulário das partes do corpo, que tal dar o guardanapo durante as refeições pedindo para ela limpar a boquinha?

Então, proponho aqui uma troca de idéias.
Vamos sugerir tarefas fáceis e simples do dia-a-dia para incluir as nossas crianças na rotina da casa. Transformar aprendizados em comportamentos funcionais.

Vamos lá, não guarde as suas dicas para você! Compartilhe! Dê a sua dica aqui no Blog! Pense no que vc costuma fazer com sua criança, ou pense no que seria fácil para várias outras crianças fazerem também.

As crianças vão se beneficiar muito!!
Eu vou começar!


  1. Regar as plantas.
  2. Acender a luz.
  3. Misturar o achocolatado no copo.
  4. Estender a mão para colocar o shampoo.
  5. Guardar a roupa suja no cesto.
  6. Jogar algo no lixo.
  7. Ligar a televisão.
  8. Enfiar o canudinho na lata de suco.
  9. Limpar a boca com guardanapo.
  10. Carregar uma sacolinha leve do mercado.
  11. (escreva aqui a sua dica)

22 de fevereiro de 2014

Entrevista no RJTV

Olá!
Os funcionários da TV são todos muito agradáveis, eu fui muito bem recebida. A Kênia Pinheiro, que me entrevistou, é muito profissional e simpática como já transparece no RJTV.
Agradeço o convite da TV, e aproveito para fazer um agradecimento especial à fonoaudióloga da TV Rio Sul, Lorenza Feliciano.
Segue o vídeo para quem perdeu a entrevista ao vivo.
Abraços
Priscila

http://g1.globo.com/rj/sul-do-rio-costa-verde/rjtv-1edicao/videos/t/edicoes/v/fonoaudiologa-de-volta-redonda-rj-fala-sobre-o-desenvolvimento-da-linguagem/3156215/



17 de fevereiro de 2014

Entrevista na TV Rio Sul

Olá!

Amanhã, dia 18 de Fevereiro estarei no Jornal da TV Rio Sul, 1a. edição, ao 12:00 h.
Falaremos sobre desenvolvimento de linguagem.
Assistam!

braços,
Priscila Felix

13 de fevereiro de 2014

Autismo: Orientações I


Meu computador tem de tudo, e às vezes encontro uns textos na internet gravo aqui e deixo para ler depois, ou separo para preparar um material de orientação aos pais ou até mesmo para fazer o que estou fazendo agora: uma postagem no Blog!
Com esse texto foi assim, e por isso aqui vai um trecho com orientações que eu chamaria de 
"Primeiros Passos".

***

É importante estabelecer relações mais positivas, estreitas e significativas entre o adulto e a criança. Sendo assim, seguem algumas dicas que podem auxiliar neste processo.

Fazer sentido do espaço e do tempo. Dê um mundo previsível e estruturado, para uma maior organização interna do que está por vir. Assim procure:

  • Estruturar o ambiente físico minimizando os elementos que provocam distrações.
  • Estabelecer um lugar para cada coisa e um lugar para cada atividade.
  • Enfatizar as fronteiras ou diferenças entre os espaços distintos (e sua relação com os objetos)
  • Usar marcadores (símbolos) relevantes e significativos. (Ex.: a chave do carro pode ser o marcador de que é hora de passear)
  • Use o símbolo, também, indicando as funções de cada ambiente físico-diferencial, atividade ou tarefa ("Para quê?" / "para quem?"). 

Fonte: Asociación Autismo Almería

www.autismoalmeria.org

Adaptação: Priscila Felix – Fonoaudióloga (2014)

16 de setembro de 2013

Palestra: Comunicação Funcional e Autismo

Palestra:

Comunicação Funcional e Autismo


Priscila Felix
Fonoaudióloga Clínica da Linguagem Infantil

Dia 26 de Setembro de 2013

Horário: 19:00h

Local: Shopping 33 - Torre II, Sala 806

Investimento: R$ 30,00 (Trinta reais) por pessoa.

Inscrições:       (24) 9832-5002
                        fonofelix@gmail.com
                                                                

19 de agosto de 2013

TDAH: tratar ou não nas férias escolares?

Muitas vezes é na escola que os sintomas do TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade) começam a se tornar mais evidentes. Não é raro a criança na fase inicial de aprendizagem apresentar inquietude, dificuldade de concentração, ser distraída, avoada e passar a impressão de que vive no "mundo da lua". Mas quando esses, entre outros sintomas, trazem prejuízos para o aprendizado e convívio social, pode ser um sinal de que algo não vai bem.

“Na maioria dos casos, o professor é o primeiro a identificar os primeiros sinais e é quem, geralmente, alerta os pais e os instrui a procurar um médico para uma avaliação sobre a possibilidade de um caso de TDAH. Médicos especialistas no desenvolvimento neurológico e comportamental, geralmente psiquiatras e neurologistas infantis, são profissionais habilitados a confirmar o diagnóstico. Os sintomas devem estar presentes em dois ou mais ambientes (social, afetivo, familiar ou escolar) e trazerem prejuízos para a vida da criança”, explica o neuropediatra e professor- assistente da Faculdade de Medicina do ABC, Dr. Rubens Wajnsztejn*.

Com a indicação pela busca de um profissional vindo da escola e o diagnóstico confirmado, alguns pais imaginam que os sintomas só prejudicam a criança no ambiente escolar. Assim, com a chegada das férias, a decisão de muitos é de interromper o tratamento.

“Porém deve-se considerar que sem tratamento a criança pode não conseguir desfrutar as férias, brincar e se relacionar, os sintomas podem atrapalhar e os prejuízos podem reaparecer. O tratamento indicado para o TDAH só deve ser interrompido após recomendação médica”, explica.

“É importante dizer também que além de seguir o tratamento multimodal, que envolve o uso de medicamento e consultas não farmacológicas, como por exemplo, psicoterapia e fonoaudiologia, os pais e cuidadores precisam acompanhar de perto a rotina da criança. É recomendado ajudá-los utilizando lembretes, agendas e participando ativamente do cotidiano, principalmente nas férias, quando a criança tem mais tempo ocioso” recomenda o especialista.

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade acompanha a vida de mais de 330 milhões de pessoas em todo o mundo¹, ². Segundo a ABDA (Associação Brasileira de Déficit de Atenção), no Brasil, entre 5 e 8%³ das crianças sofrem desse transtorno. A doença não tem cura, mas os sintomas podem ser controlados através do uso de medicamentos, quando indicado, e de terapia especializada não farmacológica.
*Dr. Rubéns Wajnsztejn – CRM-SP 36527

Fonte: www.sissaude.com.br

18 de agosto de 2013

Comunicação Alternativa ou Ampliada - O que é?

Antes de falar de comunicação alternativa, vamos entender o que é Tecnologia Assistiva. 

Vc e eu usamos a tecnologia para muitas coisas, mas para pessoas com algum tipo de limitação, a tecnologia é usada para melhorar a qualidade de vida, é a chamada tecnologia assistiva. Mas não pense que tecnologia está somente ligada ao computador... Não! Na verdade tecnologia assistiva pode ser de alto ou de baixo custo.

A tecnologia assistiva (TA) está relacionada qualquer tipo de recurso que se propõe a promover e ampliar as habilidades em pessoas limitações funcionais. Sendo assim, temos vários exemplos de TA  e em várias áreas da saúde. Podemos citar: órteses, próteses, projetos arquitetônicos, e até mesmo aquelas TA relacionadas ao acesso ao computador, escrita alternativa e comunicação alternativa.

O fonoaudiólogo usa a TA para trabalhar a comunicação. Ou a gente quer ampliar as formas de comunicação que a pessoa possui ou a gente quer dar uma alternativa de comunicação para a pessoa (quando ela tem limitações que a impedem ou dificultam a fala). Por estes dois motivos, chamamos este recurso de Comunicação Alternativa ou Ampliada.

Exemplos de comunicação alternativa ou ampliada: Pranchas de comunicação (figuras ou escrita), comunicadores de voz gravada, voz sintetizada em computador. 

A fonoaudiologia, muitas vezes, utiliza as figuras como matéria prima para confeccionar recursos de TA. Assim, podemos proporcionar, até mesmo às crianças que não lêem, formas de se comunicar. Comunicar-se é estar em contato com o outro!

Dentre os recursos de TA que que utilizam figuras, temos: adaptações de atividades escolares, pranchas de comunicação e fichários para a comunicação como o PECSs estas são de baixo custo. Já o MEAVOX que vc já deve ter visto aqui no meu blog, usa todos os recursos que a fonoaudiologia tem para trabalhar com a comunicação e o fato de estar no celular ou tablet o caracteriza como uma TA de alto custo, voltada para a comunicação alternativa.


16 de agosto de 2013

Leia com seu filho em casa

Com o mesmo livro de história você pode realizar uma série de atividades orais ou atividades de leitura.

É importante ler para a criança todos os dias, mas atenção: nunca leia antes de dormir para que a leitura não fique associada ao sono e corra o risco de se tornar uma atividade cansativa mais tarde.

A leitura traz novidades às crianças e deve ser sempre associada a situações prazerosas. Para isto, você deve saber escolher uma história ideal, aquela que tem mais chances de prender a atenção do seu filho.

Dicas para escolher as histórias:
*    Comece com histórias curtas.
*      Procure livros com frases claras e objetivas, inicialmente.
*      Livros com ilustrações podem ser bem atrativos.
*      Livros interativos (com sons, pop up etc) podem fazer da leitura uma brincadeira.

Antes de começar a ler:
*      Mostre a capa e incentive a criança a falar o que ela acha que vai ouvir.
*      Deixe-o folhear o livro para aumentar a curiosidade.
*      Incentive a criança a deduzir a história a partir das figuras.

Durante a leitura:
*      Comente os fatos que a criança acertou, ao deduzir a história.
*      Trabalhe a compreensão do vocabulário utilizado.
*      Peça para a criança deduzir o que vai acontecer depois de um determinado fato.

Após a leitura:

Depois da leitura a atividade não termina, ao contrário, ela esta só começando. Por isso, sugiro algumas atividades a serem feitas.
*      Responder perguntas simples relacionadas à história.
*      Modificar o final da história ouvida (oralmente).
*      Relembrar os fatos ocorridos antes ou depois de uma determinada parte da história (que você indicará).
*      Recontar, oralmente, a história que ouviu.
*      Leia a história novamente, com algumas palavras faltando para que a criança possa completar. Exemplo: Catita não podia sair de casa, pois estava... (gripada). Ela resolveu ficar olhando pela... (janela). Veio um menino e tocou... (violão). Catita ficou mais... (feliz).

*      Reconte a história com alguns fatos errados, e peça para que ela lhe diga o que foi mudado na história. Exemplo: catita não podia sair de casa porque estava com o pé quebrado (Não! Ela estava gripada), e um coelho (Não! Um menino) resolveu tocar flauta para ela (Não! Ele tocou violão).

Boa atividade!